terça-feira, 9 de maio de 2017

As Cinco Estações/Os Haicais de Bashô/José Lira * Antonio Cabral Filho - RJ

As Cinco Estações
Os Haicais de Bashô
José Lira é "paraibano de alma, de mente e de coração" nascido em Pedra Lavrada, no ano de 1946 e vive em Pernambuco há trinta anos. Dedicado tradutor de poesia, funcionário público aposentado do Banco do Brasil, suas raízes são as polifonias da poesia oral nordestina, daí se mover com destreza popularizando sua obra poética em folhetos no formato cordel. Já nos prestigiou com diversos títulos vertidos para a língua portuguesa, cobrindo desde a Poesia Clássica Japonesa - Haicais, passando por Emily Dickinson, Jack Kerouac e Edgar Allan Poe.

Mas sua lista de produção já é bem extensa: A vida e as Ideias de Ferdinand de Saussure - 1995, O Teatro Maravilhoso de Gil Vicente - 1996, Auto da Aprovação - 2008, Recital da Vida e da Obra do Poeta Castro Alves - 2010, Episódio Milagroso do Padre Cícero Romão - 1995 e em 2015 lançou A Paisagem Lá Fora, novela onde o texto vem enriquecido por haicais.

Porém, sua fortuna crítica não parou. Temos ainda ensaios de crítica literária e estudos sobre o ofício de traduzir, todos divulgados em livros e periódicos especializados. E embora tenha chegado já maduro na graduação em letras pela UFPE, vem ganhando distinções entre os renomados poetas e escritores eruditos não só do Brasil, mas também no exterior através da circulação de sua obra nos meios científicos. É detentor de distinções literárias, entre as quais a de finalista ao Prêmio Jabuti em 2007 com o livro Alguns Poemas, em tradução de Emily Dickinson.

Já há bastante tempo, o Mestre José Lira vem trazendo a lume obras poéticas de renome, seja no gênero verso livre, seja no haicai. Mas a sua projeção se destaca, principalmente, na divulgação da Poesia Clássica Japonesa através dos títulos dedicados aos fundadores do Haicai: As Nuvens Já Se Foram - Buson; Essas Flores Vermelhas - Issa; O Resto Dos Meus Dias - Shiki; A Sombra Do Viajante - Bashô, e agora, por último, As Cinco Estações - Os Haicais de Bashô, obra de fôlego intenso, onde as traduções da poesia do Mestre Matsuo Bashô vem acompanhadas de cuidadosos comentários eluscidatórios. 

Não poderia negar a importância deste livro para todos quantos sejam afeiçoados ao Haicai (Ráicai), independente do seu grau de relação com o mesmo; se iniciante, estudioso, ou já destacado autor no gênero. Mas "As Cinco Estações - Os Haicais de Bashô" oferece imensas possibilidades a todos, devido à preocupação de José Lira em oferecer elementos embasadores através dos comentários, de modo a estimular com apoio didático qualquer um que chegue a este livro.

*

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A Paisagem Lá Fora / José Lira * Antonio Cabral Filho - RJ

A Paisagem Lá Fora / Viagens Haicaísticas
José Lira
CrossingBorders
Edições do Autor
Recife 2015
*
Mais uma vez me encontro com a produção de José Lira e cada vez mais me convenço de que se trata de um mago, e não apenas de um senhor do ofício das letras, aquele que vai alinhavando as palavras para atingir sentidos, delas e seus. Comecei a perceber isso nos livros clássicos do haicai traduzidos e editados por ele em outro selo, e agora, nest'A Paisagem Lá Fora, vou até à janela e constato "viagens haicaísticas" no bordão do trinca-ferro da vizinhança. E a cada "malhada" que ele dá, vou adentrando na obra do poeta-amigo, surpreso à primeira vista com a tecnica em estilo crônica devidamente recheada de haicais, mas aos poucos, no apalpar o chão com a alma palpitante, noto que tudo leva ao haicai e colho a primeira flor: 

"Noite comprida:
Uma lâmpada apaga
Na enfermaria"

A seqüência não se me oferece por detrás das sombras, mas vou buscá-la no fundo mais fundo das solidões, aquelas eivadas de luzes fugazes, e José Lira me anuncia um livro de haicais escrito numa cama de hospital; colho mais uma flor:

"Vai-se o verão:
Outra manhã na praia
Sem um haicai."

Segundo José Lira, um amigo dele diz que "um haicai " "comum" é bom exatamente por não querer dizer ( nem precisa dizer ) nada além do que diz" e eis mais uma flor:

"Casa da sogra:
O caritó vazio
Numa parede."

Lembro de que preciso livrar-me dessa impertinência da flor e noto que José Lira falou em flor lá em algum lugar do passado. Ah, sim! Um jarro de flores e nega - "ou não são flores..." E pego a

"Rua da Aurora:
Do outro lado do rio
A meia-noite"

Mas A Paisagem Lá Fora dá-me cenas urbanas da Recife dos poetas e súbito

"Tarde no parque:
No meio do caminho
Tem uma pedra"

Sinto que nest'A Paisagem Lá Fora há muito mais do que a poesia zen-filosofada do bardo José Lira, nos convidando ao ócio digno do espírito:

"A velha rede
Balançando vazia:
Casa de praia"

Sem razão de ser o breque, preciso anunciar a saída, sem Drummond e com José, José Lira, n'A Paisagem lá Fora, que este livro se constitui de cenas, como num roteiro a ser gravado, sem um script na cabeça e nenhuma máquina na mão, pra deixar Glauber Rocha nas nuvens.
*

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Haicai Doojin / Benedita Azevedo * Antonio Cabral Filho - RJ

Haicai Doojin
Benedita Azevedo
Araucária Cultural
***
Caros, bom dia.

Editado no final do ano, HAIKAI DOOJIN, livro de haicais
de Benedita Azevedo, está sendo lançado.

BENEDITA AZEVEDO É HAIKAI DOOJIN – José Marins

     Haikai Doojin quer dizer “companheira de haicai”, assim é
Benedita Azevedo, a poeta.  Mais um livro seu de haicais feitos
a partir de vivências na Praia do Anil, onde reside em Magé-RJ. 
São 113 poemas que foram publicados inicialmente na coluna
Haicai Brasileiro do Jornal Nippak. Haicais que nos aproximam
da natureza, dialogam com o leitor numa linguagem simples,
mostrando imagens que passariam despercebidas não fosse 
a percepção treinada da autora e sua fina sensibilidade poética.
     Destaca José Marins desse livro: “A compaixão pelos seres da 
flora e da fauna, o apreço pelo lugar e o amor pelos humanos, 
motivam-na em seu fazer poético, registros diários de vivências. 
Seus poemas acolhem desde a borboleta que morre com as folhas 
secas, o pé de camélia na vala, ao jovem traficante morto. A autora 
escreve para todos os leitores através da linguagem de um haicai 
despojado.”
     Ler mais esse livro de Benedita Azevedo é um privilégio e um
prazer para quem ama a poesia do haicai.

Eis alguns dos poemas do livro:
-
Caindo do galho
a borboleta de inverno
junta-se às folhas.
-
O pé de camélia –
boiando na vala negra
as flores branquinhas.
-
Jovem traficante –
Chegam para o velório
os lírios-da-paz.
––––

PARA ADQUIRIR O LIVRO ESCREVA À AUTORA EM:



*

domingo, 8 de novembro de 2015

Certame Mensal De Haicais * Antonio Cabral filho - RJ

Haicai Brasileiro
Jornal Do Nikkey
http://www.portalnikkei.com.br/haicai-brasileiro-37/ 
*

HAICAI BRASILEIRO


O Jornal Nippak publica aqui os haicais enviados pelos leitores. Haicai é um tipo de poema que se originou no Japão. Seu maior expoente é Matsuo Bashô (1644-1694). O haicai caracteriza-se por descrever, de forma breve e objetiva, aspectos da natureza (inclusive a humana) ligados à passagem das estações. Hoje, no mundo inteiro, pessoas de todas as idades e formações escrevem haicais em suas línguas, atestando a universalidade dessa forma de expressão.
Envie seus haicais (no máximo três de cada tema sugerido) digitados ou em letra legível, com nome (mesmo quando preferir o uso de pseudônimo), endereço e RG.
Cada pessoa pode participar com apenas uma identidade.
A seleção dos trabalhos é feita pelos haicaístas Edson Kenji Iura e Francisco Handa.
Envie suas cartas para:
Haicai Brasileiro
A/C Jornal Nippak
Rua da Glória, 332
CEP 01510-000 São Paulo-SP
*